Partidos políticos reforçam valores de Abril em período de guerra na Europa

25 abril, 2022

Partidos polticos reforam valores de Abril em perodo de guerra na Europa

O Município da Mealhada assinalou, hoje, os 48 anos do 25 de abril de 1974 com a sessão solene da Assembleia Municipal, na qual as diversas forças partidárias reforçaram os valores da paz, da liberdade e da democracia, conquistados pela Revolução dos Cravos, numa altura que a Europa e o mundo está a braços com uma guerra.

A tónica dos discursos das diversas forças partidárias presentes no 48.º aniversário da Revolução dos Cravos assentou na ainda maior importância de comemorar o 25 de Abril e todos os valores que lhe estão subjacentes, atendendo ao conflito atualmente existente entre a Rússia e a Ucrânia.

João Louceiro, do PCP, falou da posição do partido relativamente e esta guerra e sobre as consequências para as suas populações, condenando todas as "ameaças evidentes à democracia que chegam a Portugal" através dos mais diversos meios. "Condenamos esta lamentável e assustadora guerra que ameaça todos os povos europeus e toda a humanidade, mas também as outras guerras que castigaram e castigam povos por todo o mundo, originando desalojados e refugiados", afirmou. O representante do PCP saudou "os militares que não se acomodaram ao fascismo e tiveram a coragem de lançar as operações do 25 de abril". "Os militares serão sempre credores da nossa admiração e do nosso reconhecimento pelo enorme papel histórico que assumiram", concluiu.

Em representação da Coligação Juntos Pelo Concelho da Mealhada, Pedro Semedo alertou para as "tentativas de manipulação da história", com a propaganda a sobrepor-se ao conhecimento histórico, defendendo a verdade com uma das bases da democracia.

"Temos de ser críticos naquilo que ouvimos e lemos", avisou, apelando para o desenvolvimento de um tipo de conhecimento baseado em fontes, crítico, "porque andam por aí muitos mitos, muitas meias mentiras, muitas meias verdades e completas ficções sobre os assuntos".

Saudando também os militares que combateram no regime autocrático do Estado Novo, Pedro Ricardo Ferreira, do PS, falou sobre o dia que "permitiu que Portugal se libertasse das amarras da ditadura e se consolidasse como uma democracia e uma república".

"Não nos devemos esquecer que a liberdade e a democracia são bens demasiado preciosos e cada um de nós tem o dever de os semear, cuidar e proteger", frisou, chamando depois a atenção para a missão dos eleitos locais: "Sejamos aquilo que os munícipes esperam de nós: ações, proximidade e soluções".

A condenação da guerra na Ucrânia também fez parte do seu discurso, lembrando que está a ser imposta ao povo ucraniano "uma ditadura que infelizmente o nosso Portugal conheceu tão bem e rejeitou". "Estamos solidários com a Ucrânia e esperamos que consigam também lá fazer os valores de abril", referiu.

André Melo, do Movimento Independente Mais e Melhor, invocou a necessidade de "chamar todos para a participação na vida pública" e "atender ainda mais as populações, as instituições e as empresas para que lhes possamos entregar os meios necessários ao desenvolvimento económico, social e cultural". "Sem prosperidade, sem educação e cultura, sem igualdade de tratamento e oportunidades não cumprimos Abril e não damos a todos a verdadeira liberdade", concluiu.

Lembrando que estar agora no exercício de funções como presidente da Câmara da Mealhada, foi "fruto de um «25 de Abril»", António Jorge Franco referiu que estas comemorações servem para "jamais nos esquecermos do valor da paz, do respeito e da liberdade", numa altura em que enfrentamos um "período difícil de manutenção da liberdade", com a "invasão e devastação de um povo europeu" a decorrer.

"Este dia deve servir também para prestar um tributo aos mais de 8 mil jovens que morreram cedo demais numa guerra que só fazia sentido no modelo antidemocrático e colonialista do regime fascista", acrescentou, aproveitando para deixar uma palavra aos mais novos para que participem na vida ativa da comunidade e lutem sempre pela manutenção da paz, da democracia e da liberdade".

Carlos Cabral, presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, lembrou os que foram para a guerra e voltaram diferentes, que são os que melhor compreendem os tempos a que assistimos hoje. "Só sabe o valor da paz quem passou por uma guerra", sublinhou.

Lançou ainda um apelo à união de esforços com o objetivo de "descobrir, em conjunto, a orientação necessária que leve o concelho da Mealhada ao desenvolvimento e por caminhos que ainda não foram atingidos".

A cerimónia foi engrandecida com a atuação dos músicos do projeto cultural "Fado ao Centro", que cantaram Abril e lembraram a liberdade com música vinda de Coimbra.

Precederam a sessão as cerimónias protocolares de hastear da bandeira nacional, a guarda de honra pelos bombeiros da Mealhada e da Pampilhosa, hino nacional, tocado pela Filarmónica Lyra Barcoucense 10 de Agosto, largada de pombos e deposição da coroa de flores no monumento aos mortos em combate no concelho, situado no Jardim Municipal. À meia noite, já tinha ocorrido uma salva de morteiros.

As comemorações do 25 de Abril começaram logo nos dias anteriores com um concerto de jazz, ontem, no Cineteatro Messias, do quarteto instrumental "Solaris", que incluiu no seu repertório composições de autores portugueses como Zeca Afonso e Sérgio Godinho. E a 22 de abril, a Biblioteca Municipal da Mealhada recebeu a iniciativa "Janela para o Sonho: o outro lado do 25 de abril", com exibição de documentários e filmes e com a apresentação de testemunhos sobre o que se passou em Portugal durante este período que deu origem à Revolução dos Cravos.

Hoje, há ainda Mercadinho Livre, no Largo do Mercado da Pampilhosa, até às 18h.